1975 – Cabo Verde independente

5 de julho 2020: 45° aniversário da independência de Cabo Verde

As aventuras de Emily Greco – Primeiro ciclo Africano.
Capítulo 21: “A terra catalítica e o arco-íris”, excerto

“……”Imaginem querer colocar o arco-íris da diversidade humana em latas e caixas com rótulos que dizem, por exemplo, cabrita ou cafuzo ou mulato!!!,” disse a terra catalítica e riu-se.

A terra catalítica! Na verdade, na perene procura da identidade existencial, esta terra tem sido um catalisador.

Estranhamente, aqui, na quietude dos trópicos, tudo entra em ritmos mais rápidos. Αqui que tudo deveria ser parado. Assim como paradas ficam as horas do meio dia no ardor do verão. Porém, tudo entra em ritmos acelerados de catalisação. Assim como acontece com qualquer plástico que deixo no armário. Basta um só verão, venho e encontro-o em fase de descomposição avançada. Como é possível? E pouco importa o que passa com as bolsas de plástico, porque de repente, descobrimos que afinal todo é feito de plástico. Bom, pouco importam as minhas bolsinhas elegantes que se “catalisam” antes de eu me “bazofiar” com elas. Ou, ainda, as minhas fitas elásticas para a ginástica. Não importa, compraremos outras.

A questão é o que acontece connosco mesmos!!!   

………..

Portanto, primeiro, a terra catalítica acelera os ritmos da evolução das coisas.

Em segundo lugar, a terra catalítica faz as nossas pupilas dilatarem-se de espanto perante as enormes questões do mundo atual, isto é, a questão da autoestima, da resiliência, da identidade, da dignidade. Esta terra é tão pequena, tão infecunda, tão perdida no vasto oceano que tudo se torna extremamente evidente aos nossos olhos.

Como sobreviveram estes caboverdianos? Como se levantaram? Como podem dizer “Aqui estamos nós”! “Mundo, estás a ouvir-nos? Nós também temos voz e queremos que nos ouçam”. Tremendo! “Vão ouvir-nos com a música, com a nossa presença, com as nossas redes e os nossos lobbies” “Com a nossa capacidade de fazer uma marca e um “brand””.

Como o outro dizia, um… espera… preciso de encontrar a categoria. Não a tenho na lista do arco-íris da raça humana. Um moçambicano colorido! Sim, o resultado de vários cruzamentos. Os antepassados brancos, mestiços e indianos tinham deixado marcas eloquentes por todo o seu ser, no corpo, na expressão, na fala, no carácter. Que beleza! Então, este burguês moçambicano dizia, aliás, acho eu, estava gritando mesmo com alguma veemência “Como é que estes caboverdianos conseguem fazer do nada um “brand”? O que eles têm na sua culinária? Uma cachupa! E uma cachupa tornou-se num brand. Cachupa aqui, cachupa lá. E Moçambique com uma culinária tão rica, e tu perguntas a um estrangeiro, e ele não pode dar-te o nome de um só prato, se calhar.” E tinha razão sobre ambos os argumentos. A cozinha Moçambicana é extraordinária, saborosa, nutritiva e rica, mas, eu, também, apenas “matapa” sou capaz de dizer. Uma espécie de puré de folhas de mandioca com caju moído e leite de noz-de-coco em vez de azeite.

Isso quer dizer ter atributos! E os Caboverdianos têm!

Em terceiro lugar. Estes farrapos de terra estavam há décadas na vanguarda da evolução que as coisas tomariam ao nível global. A falta de água, a desertificação, e enfim a resposta a tudo isto através da construção de um futuro contra toda a lógica. Reflorestação e transformação do microclima, ribeira após ribeira, encosta após encosta. Construindo uma Nação. A Nação Coboverdiana.

…………………………”

homenagem

homenagem a Nação caboverdiana soberana– excerto do primeiro romance de Emily Greco

One comment

  1. Fala quem não só viveu muitos anos nas “Ilhas Afortunadas”, como também conviveu, em todos os quadrantes geográficos e sociais do Arquipélago, a montante e a jusante da sua gente, e se sente com força afectiva suficiente para homenagear Cabo Verde, país para cujo desenvolvimento também contribuiu.

Leave a Reply